Esvaziamento do Mais Médicos: mais exclusão social a caminho

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Merlong Solano Nogueira
Professor da UFPI
1º suplente de Deputado Federal – PI
As evidências de que o governo Bolsonaro será uma continuidade do governo Temer, com aprofundamento das medidas antipopulares que jogam sobre os pobres o peso da crise, já são inúmeras; basta ver o que o superministro da economia está anunciando para a previdência social: regime de capitalização individual, com base no modelo chileno, onde a maioria dos aposentados estão recebendo um aposento equivalente a meio salário mínimo. Aqui no Brasil, com esse modelo em vigor, cerca de 90% dos aposentados estariam recebendo R$ 477,00 por mês. A velhice da miséria é a proposta do novo governo.

Temer já paralisou ou esvaziou programas diversos, dentre eles destaco o Farmácia Popular, Brasil sem Fronteiras e o Minha Casa Minha Vida. No caso deste último, fundamental para reduzir o déficit de moradia e para gerar empregos na construção civil, a Caixa só firmou contratos no ano passado para a construção de 27 mil novas unidades habitacionais no Brasil, nas faixas 1 e 1,5 (as de renda familiar de até R$ 2.600,00). A meta para 2017 era contratar 170 mil novas unidades.

Nessa mesma linha, de insensibilidade social, Bolsonaro já começou a esvaziar o programa Mais Médicos, que levou a atenção básica em saúde para pequenas cidades e para periferias que simplesmente não contavam com a presença de um médico. No Piauí, a população será fortemente penalizada, com efeitos negativos em todo o sistema de saúde, uma vez que dos 314 médicos que atuam nesse programa 203 são cubanos. Muitas cidades voltarão para aquela situação de não ter nenhum médico e todas as ações da atenção básica ficarão comprometidas.

Dois aspectos a considerar sobre a visão do novo governo: o que o Bolsonaro sabe sobre a importância da atenção básica para o Sistema Único de Saúde? Quanto dinheiro eles esperam economizar para os banqueiros com o esvaziamento desse programa?

Quanta diferença! Enquanto a pequena e pobre Cuba exporta profissionais qualificados (neste momento médicos e engenheiros cubanos prestam serviços em 67 países), o Brasil segue firme, desde o afastamento da presidenta Dilma há 2 anos, no sentido de aprofundar a desigualdade social e voltar ao mapa da fome.

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